• Cleu Nacif

No olhar delas entrevista: Ju Berzo, FOTOGRAFIA DE ARQUITETURA E MATERNIDADE

Atualizado: 16 de Out de 2019

por Cleu Nacif


© Ju Berzo

Cada dia que passa, enquanto fotógrafa e apreciadora de

fotos, eu percebo como essa atividade está inserida em

tantos ramos profissionais diferentes, para não falar que

estão em todos, mesmo imaginando que sim.

Do autoral ao documental, do Oiapoque ao Chuí, por isso hoje

eu escolhi falar de uma fotógrafa do quintal de casa, a Ju

Berzo, que está fazendo um trabalho lindo unindo a Fotografia

à Arquitetura.


A Ju é arquiteta, fotógrafa e mãe e eu bati um papo com ela

pra saber como que está a vida nessa mescla de atividades,

funções e amores.


Ju, conta pra gente um pouquinho da sua história.

Sou arquiteta e fotógrafa. Arquitetura e fotografia são irmãs, difícil pensar uma sem a outra hoje. Não à toa tantos arquitetos acabam fotógrafos. O olhar treinado pra criar, compor, contar história, vem de uma profissão para a outra. Difícil dizer qual veio primeiro. A fotografia veio do meu avô de um jeito inconsciente e foi por um bom tempo hobby, até que um dia me perguntaram “por que você não trabalha com fotografia?” e eu percebi que as duas coisas poderiam caminhar juntas, trazendo mais dinâmica e leveza pra vida profissional. Depois de experimentar várias áreas da fotografia, hoje em dia trabalho principalmente com fotografia de arquitetura/urbano, de produto e autoral.

O que a fotografia significa pra você?

Fotografia pra mim é olhar com calma e poesia pras cenas que acontecem, independentemente de estar com a câmera na mão.

Quem te inspira?

No geral, me inspira quem vive a vida com leveza. Na fotografia, me inspiram fotógrafos de áreas diferentes, mas para citar alguns: Alain Laboile, Tatewaki Nio, Manuel Sá, Joana França, Maria Svarbová.



Você vê diferenças no mercado fotográfico entre homens e mulheres?

Muita. Quando olhamos para a fotografia de arquitetura por exemplo, o mercado é bem dominado por homens, e muito fechado. A mulher alcançou muito espaço no mercado de trabalho, mas ainda há muito o que mudar culturalmente para começarmos a ver homens e mulheres se destacando da mesma forma.

Alguma fotografia ou fotógrafx te marcou?

Alain Laboile me marcou, por seu trabalho como um todo. As cenas, os ângulos, o tratamento. É a própria família ali retratada com todo um olhar de fábula muito mágico.

Alguma fotografia que você fez te marcou? Compartilha a história pra gente... Acho que a série dos espelhados me marcou muito, porque foi uma série com aprendizados em diversos âmbitos. Fiz enquanto cursava a Pós em Fotografia Contemporânea, e estava imersa na teoria da fotografia, com novas referências, com muita troca entre os alunos. Juntei ali as minhas duas atuações.



Como é ser fotógrafa e mãe? Imagino que a rotina mude, os horários de quem fotografa muitas vezes não condiz com a rotina de um bebê... (claro que a área em que se fotografa influencia).

Depende do lado que se olha. Como profissional, acho que no início é aflitivo, rs. Temos que reaprender a gerenciar o tempo, a atenção, a concentração, para que o trabalho saia com a mesma qualidade de antes. Depois de alguma adaptação, e com uma boa rede de apoio, pode ser possível. Por outro lado, a vantagem de ter um trabalho em que eu possa de alguma forma moldar a quantidade de tempo, os intervalos, me permite também estar presente em casa em momentos em que eu julgo importantes.

E agora falando no lado pessoal, acho que levo a sério a importância do registro da infância. Hoje em dia tem uma certa tendência das fotos “perfeitas” para postar nas redes sociais e tal. Vemos as pessoas fazendo ensaios com os filhos, tudo muito arrumado, muito posado, muito editado. Mas não se pode deixar de registrar também o dia a dia, o cotidiano, a casa, os momentos reais. Eu quando olho para as fotos da minha infância, gosto de reconhecer os móveis, os porta-retratos na mesinha, lá no fundo tem alguém conhecido conversando e você se lembra do jeito que a pessoa ria, enfim, são

registros cheios de memória afetiva que são importantes de proporcionar para os nossos filhos.

A Ju Berzo está lá no Insta como @jujuberzo e também tem um projeto lindo, registrando o crescimento da filha Bia, o @1000diasdebia




Todas as imagens que ilustram o post são de autoria de Ju Berzo. Proibida a reprodução sem expressa autorização do autor.


@2019 por Mark Greathouse

©Todas as fotos são de autoria dos professores da Ansel