• Cleu Nacif

No olhar delas entrevista: Flávia Rettore e o FOTO EM PAUTA

Atualizado: Jan 16


Imagino que vocês conheçam, muitos talvez até já foram ou ao menos ouviram falar do FOTO EM PAUTA, projeto que organiza palestras, exposições e traz para Belo Horizonte figuras relevantes da fotografia brasileira. Além disso, o projeto organiza o Festival de Fotografia de Tiradentes, que acontece todo ano na cidade de Tiradentes/MG.


Esse evento tem por trás alguns idealizadores e organizadores, entre eles a Flávia Rettore. E eu conversei com essa mulher inspiradora, que ajuda a trazer ainda mais visibilidade para essa atividade que tanto amamos: A Fotografia


A Flávia se encontrou com a fotografia ao conhecer o fotojornalista Eugênio Sávio. Essa união foi não só entre os dois, mas entre seus interesses que passeavam pela Fotografia e a Psicanálise.



Anos depois, em 2004, nasceu das mãos deles o Foto em Pauta.


Oriundo de Belo Horizonte, o festival já circulou por 18 estados brasileiros através do Circuito Cultural Banco do Brasil e se consolidou em Minas, hoje com 16 anos de idade e 100 eventos realizados na capital.


A Flávia faz um pouco de tudo no Foto em Pauta, e na entrevista ela conta sobre essa trajetória, a criação do Foto em Pauta e muitas outras curiosidades que viveu nesses anos. Muito guerreira e inspiradora!


E ainda deixou um convite no final! 2020 promete!


· Flávia, me conta um pouco sobre sua trajetória e o que te levou à fotografia e a fazer parte da construção do Foto em Pauta.


Entrei no mundo da fotografia a partir do meu relacionamento com o Eugênio. Tinha 21 anos quando começamos a namorar. Eu estava terminando meu curso de psicologia e fazendo formação psicanalítica. Eugênio, com 22 anos, já atuava no fotojornalismo e dava aulas na PUC.

Ele participava da "Nau sem Rumo", um grupo de amigos fotógrafos que discutia arte e fotografia, coordenado pelo Rui Cézar dos Santos. Eu participei de várias aulas do Rui, bem como Eugênio frequentava algumas aulas de Psicanálise com Isidoro Americano do Brasil. Nossos interesses se completavam, nossa afinidade era total, e o livro "A Ilusão Especular", do Arlindo Machado coroava esse encontro da Fotografia com a Psicanálise.


· Qual o seu papel no Foto em pauta, tanto o festival quanto os eventos que acontecem em BH?


O Foto em Pauta nasceu em 2004 em BH, depois circulou por 18 estados brasileiros através do Circuito Cultural Banco do Brasil, e se consolidou como evento permanente em Belo Horizonte, completando agora 16 anos e 100 eventos realizados aqui na capital. O formato era de projeção de imagens e relato do autor sobre sua vida e percurso na fotografia e discussão com o público. Anos mais tarde, em 2011, ele partiu para Tiradentes e se transformou no Festival de Fotografia de Tiradentes, acrescido de várias outras ações como oficinas, exposições, projeções noturnas, lançamentos de livros. São cinco dias intensos de fotografia em todas as suas possibilidades ambientados naquela cidadezinha bucólica.


Eu contribuo nesses dois projetos ajudando na execução, produção das oficinas e exposições, logística e recepção convidados, organização da livraria, contato com parceiros de pousadas e restaurantes e demais colaboradores. Na verdade, faço um pouco de tudo... Chegamos até aqui com uma equipe pequena, muito guerreira, e a cada ano tentamos coordenar melhor os recursos, que são restritos, para realizar o Festival. É uma satisfação muito grande participar desse trabalho ao lado do Eugênio, dos nossos filhos e de nossos amigos da equipe.


· Como que vocês fazem a curadoria de quem participa, os palestrantes, expositores, etc? Existe uma busca também por afinidade, ou mais por relevância no mercado, ou os próprios fotógrafos procuram vocês? Como funciona?


Eugênio passa o ano todo em contato com diversos fotógrafos, autores, realizadores de festivais, professores. Faz várias viagens no Brasil e no exterior buscando contatos com o que há de mais relevante na cena contemporânea, bem como no universo histórico da fotografia. Ele tem parceiros antigos na curadoria tanto para escolha de palestrantes como de expositores e de temas para as oficinas. É incrível como a fotografia é rica e como tem pessoas dedicadas a ela no Brasil todo, lançando livros, fazendo palestras, ministrando cursos.



Autores que já passaram pelo Foto em Pauta

Nesses anos todos Eugênio e seu grupo curador conseguiram imprimir uma marca de qualidade na abordagem dessa linguagem tão diversa. Claro que contribuo sugerindo pessoas e trabalhos que conheci nessas andanças por Festivais e exposições. Inclusive já fiz uma sugestão de um trabalho que conheci no Festival de Campinas que gostaria muito que fosse para a décima edição do Festival, em março de 2020.


Alguns autores que já passaram pelo Foto em Pauta


· Quem te inspira na fotografia Flávia? (vale responder o Eugênio também :)


Claro que Eugênio vem em primeiro lugar, nossa casa é repleta de fotos dele nas paredes. Gosto muito do trabalho do João Roberto Ripper, da Claudia Andujar, Elza Lima, Rochelle Costi, Miguel Aun… a lista é interminável.


· Alguma fotografia ou fotógrafo(a) te marcou?


As fotos do livro da Irmina Walczak e Sávio Freire, "Retratos pra Yayá" e a exposição permanente da Claudia Andujar no Inhotim são atualmente as que mais me emocionam. Tive a felicidade de conhecer a Andujar dia 9 de novembro no Inhotim, foi emocionante conversar com ela.


· Eu imagino que montar um festival dessa grandeza seja complicado, mas que ao mesmo tempo devem acontecer muitas situações divertidas ou inusitadas, afinal vocês devem conhecer pessoas de todos os tipos e lugares! Tem alguma história que te vem na lembrança para compartilhar com a gente?


É muito intenso, tudo acontece ao mesmo tempo e, claro, acontecem mil tropeços, muitas situações de stress. Agradeço muito a chegada do WhatsApp, que proporcionou uma comunicação mais eficiente e silenciosa, otimizando nosso exíguo tempo durante o evento.


O acontecimento mais marcante para mim foi em 2012, no segundo ano do festival, durante a apresentação do Maurício Lima sobre o conflito na Síria que ele registrou em 2011. Ele iniciou a palestra falando baixo, devagar e a cada palavra foi ficando com a voz embargada e nós - atentos ouvintes - fomos ficando emocionados com sua fala e as fotos projetadas no auditório. Foram poucas palavras intercaladas por longos momentos de silêncio acompanhando as imagens impactantes na sala escura. Inesquecível!


· Se alguém tiver interesse de participar mais efetivamente do Festival, realizando alguma palestra ou exposição, como ou onde essa pessoa consegue essas informações?


O planejamento do Festival vem a partir daquilo que vemos, que conhecemos e pesquisamos. Recebemos também propostas diretamente de interessados. Após uma série de contatos feitos ao longo dos anos, vai se construindo a programação. Um fenômeno interessante que têm acontecido nas últimas edições do Festival em Tiradentes é a participação espontânea de pessoas, grupos, instituições que apresentam conteúdo de fotografia (exposições, projeções, performances), vindos de diversos estados do país. Muitos conseguem apoio de pessoas e empresários locais e nem passam pela nossa curadoria. Isso tem tornado o evento mais diverso e rico.


· Pra finalizar, qual o contato caso alguém queira conhecer mais sobre você ou o festival?


Convido a todos para comemorar com a gente os 10 anos do Festival de Tiradentes, entre 18 a 22 de março de 2020 . Detalhes no Instagram @fotoempauta.




Muito obrigada Flávia, por compartilhar conosco, e com certeza: nos vemos em março!


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@2019 por Mark Greathouse

©Todas as fotos são de autoria dos professores da Ansel