• Cleu Nacif

No Olhar delas entrevista: Renata Larroyd e o Fotojornalismo

Atualizado: 16 de Out de 2019

Por Cleu Nacif

Conheci a Renata há uns anos, e desde então acompanho o trabalho dela que envolve uma ponte aérea intensa e a fotografia documental no olhar.

Formada em administração, resolveu mudar de carreira há menos de quatro anos e foi fotógrafa do Mail & Guardian, o principal jornal da África do Sul, onde ela mora atualmente.

Nascida em Florianópolis, já morou em SP, é uma apaixonada por Minas e como ela mesmo diz: É uma nômade viajante, já tendo vivido em sete países diferentes. Então na coluna dessa semana é a vez de trazer essa união da fotografia documental e do fotojornalismo, junto a essa mulher que é pura energia e comprometimento total, através do olhar dela: Renata Larroyd <3


Foto: Mandicanhestro

Re, me conta um pouquinho de como tem sido sua caminhada pela fotografia.

Minha vida na fotografia ainda é muito recente (são apenas 3 anos e meio), mas desde sempre - muita intensa. A verdade é que eu escolhi essa profissão para me aproximar da minha essência "nômade" e não necessariamente para me apegar a lugares e padrões. Hoje, atuo como fotógrafa documental e fotojornalista na África do Sul. Minha visão de mundo mudou bastante desde que mudei para cá. Hoje tenho mais clareza de que o papel do fotógrafo na sociedade vai além de documentar momentos que se tornam memórias.

Às vezes é um desafio equilibrar tudo isso. Mas para mim, a fotografia tem um enorme potencial para promover mudanças e educar o público com mais oportunidades de envolvimento em problemas sociais. É nossa responsabilidade, como fotógrafos, buscar histórias que causem mais impacto e funcionem como uma ferramenta de transformação na vida das pessoas. O que a fotografia significa para você?

Para mim, a fotografia provoca inúmeras emoções. Amo fotografar momentos com intimidade, principalmente aquilo que ninguém está olhando.

Sempre foi uma ferramenta de conexão. Conectar-se às pessoas é a minha parte favorita do trabalho. Portanto, dou o meu melhor para que o resultado final de cada trabalho sejam fotos que que provoquem inúmeras emoções. Quem te inspira?

Tenho uma alma viajante, e consequentemente minhas fotografias são inspiradas por pessoas, histórias, detalhes e por lugares onde estive. Sou aquele tipo de pessoa que está sempre em movimento e em busca do próximo desafio. O que realmente me encanta é a beleza do cotidiano, principalmente no aspecto social das rotinas, que se traduz no modo como as pessoas agem, pensam e sentem. Ou seja, a sua cultura e referências. Experiências transformadoras alimentam a minha fotografia e é isso também que a torna única.



Você vê diferenças no mercado fotográfico entre homens e mulheres?

Sim, com certeza. A fotografia de modo geral é bem machista. Principalmente no fotojornalismo. A maioria dos "jobs" são direcionados para público masculino. A maioria das referências e das histórias foram fotografadas por fotógrafos homens e brancos.

As exposições e as galerias são quase todos de projetos executados por homens. Claro que o que me encanta de forma geral, é o talento. Não importa o gênero, mas o que eu vejo e o que me incomoda é a desproporção de gênero na hora de distribuir as oportunidades. Como a fotografia não é uma ciência exata, isso fez toda a diferença na maneira em como somos influenciados a enxergar o mundo.

Você vê diferenças no ser fotógrafa pelos diferentes países que você tem passado?

No final, somos todos seres humanos que amam se expressar através de imagens. Acho que as diferenças se encontram nas referências, no significado do sucesso e no acesso à informação e às oportunidades. Alguma fotografia ou fotógrafx te marcou?

A obra e a biografia do grande fotógrafo sul-africano David Goldblatt. Alguma fotografia que você fez te marcou? Compartilha a história com a gente!

Pergunta difícil, são várias as situações e histórias que me deixaram arrepiada! Mas de modo geral, a primeira coisa que vem em mente é um retrato da minha falecida vó e meu irmão. Eu estava bem no começo da minha carreira como fotógrafa, havia largado meu emprego para dedicar 100% nas fotos.


Eu morava em BH e tinha ido para Floripa fazer um trabalho e visitar a família. Meu irmão havia pedido para fazer um retrato profissional dele e pedi à minha querida avó (grande apoiadora dos meus sonhos) para me ajudar com o rebatedor. Ela estava amando ser minha assistente. A energia estava maravilhosa. Para mim, um bom retrato é isso: uma conversa. No final, eu fiz uma foto dos dois (toda vez que eu a vejo, eu sinto a personalidade dos dois). Esse foi o último retrato dela em vida.

Dois dias antes do seu falecimento. Qual seu sonho dentro da fotografia?

Poder viajar para outros lugares do mundo, e ser capaz de me reinventar através de boas histórias! Afinal, somos todos feitos delas.




Pra conhecer mais sobre o trabalho da Renata ou entrar em contato:

Instagram:

@rlarroyd @wanderlost.photo

Site:

www.rlarroyd.com renata.larroyd@gmail.com


+27 67 002 0949

@2019 por Mark Greathouse

©Todas as fotos são de autoria dos professores da Ansel