• Cleu Nacif

SARAH LEWIS e a consciência nas artes

No olhar delas por Cleu Nacif





Sarah Elizabeth Lewis é de Nova York, graduada e professora de História da Arte e Arquitetura e de Estudos Africanos e Afro-Americanos em Harvard. Já foi curadora do Museu de Arte Moderna e do Tate Modern, além de ser escritora. Seu currículo é gigante e brilhante, e ela encara a fotografia (de diversos fotógrafos do mundo) como um instrumento importante de engajamento cívico para o amplo debate que existe no mundo da arte.


No vídeo How art can change society, a Sarah Lewis traz algumas referências artísticas e essas mudanças sociais ocasionadas pela arte.



“Uma das razões que eu amo escrever sobre arte e fazer curadoria, não é tanto para poder honrar a expressão artística de alguém ou fazer um tributo a ela, mas sim pelo quanto a arte pode mudar coisas internamente na gente.


Frederick Douglas durante a guerra civil surpreendeu sua plateia durante um discurso, quando falou sobre uma ideia dele, de que não seria a guerra em si, o combate, que mudaria a visão dos Estados Unidos sobre si mesmo como sociedade, mas as fotografias.

As fotografias e o raciocínio que as fotos causam na mente são a forma como conseguimos entrar na porta de traz da nossa consciência e ver as coisas e o mundo com mais clareza.


Frederick Douglas

Eu amo isso, quando encontrei esse discurso eu senti que é por isso que eu faço o que faço.

Quantos movimentos começaram no mundo a partir do impacto do trabalho de uma pessoa, de uma música, de alguma experiência estética de impacto que alterou algo internamente em um grupo de pessoas?

O movimento ambientalista catalisou isso. Quando nós vimos aquela foto tirada pelo Apollo 8 do Planeta Terra, aquilo nos mostrou que nosso mundo era um ambiente que precisava ser honrado e cuidado.


Foto da Terra feita pela Apollo 8

Ou pense sobre quando Brown v. Board of Education (1954, decisão da suprema corte do U.S. que decidiu que a segregação racial nas escolas públicas era inconstitucional. Foi o precedente que contribuiu para que em todo o país começassem a se movimentar legalmente para o fim da segregação racial nos Estados Unidos) eles não teriam tido o Charles Black como advogado se ele não tivesse visto Louis Armstrong performar em 1931, em Austin/Texas, e naquele momento ter presenciado a genialidade do Armstrong e entendido claramente que ele era um gênio sim, um homem negro genial, e que portanto a segregação era algo absolutamente errado.


Louis Armstrong


Essa experiência foi o que fomentou o interesse de Black em seguir uma carreira em direitos civis, como ele mesmo descreve, e que caminhando em direção ao caso de Brown v. Board of Education, ele estava andando em direção à justiça.




Tem tantos exemplos onde podemos estabelecer que a força estética mais do que o pensamento racional foi a força que alterou o percurso e causou a mudança diante de injustiças enormes, então eu vejo as artes como algo muito maior que apenas um respiro da vida, um luxo, eu a vejo como uma força quase galvânica, que contribui para impactar e estimular alguns dos grandes movimentos e mudanças sociais que ocorrem no mundo.”


Tradução e trascrição por Cleu Nacif.

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@2019 por Mark Greathouse

©Todas as fotos são de autoria dos professores da Ansel